O score Serasa vai de 0 a 1.000. O que mais pesa na pontuação: histórico de pagamentos (comportamento dos últimos 12 meses), dívidas ativas (negativações em aberto), e o uso do limite de crédito. Ter dívidas quitadas e CPF limpo não garante score alto — há comportamentos que derrubam a pontuação mesmo em quem paga tudo em dia. O principal deles: usar mais de 30% do limite do cartão de crédito de forma consistente.

O score é o número que bancos, financeiras, lojas e até empregadores consultam antes de conceder crédito, financiamento ou emprego. Entender o que o move — e o que o derruba — é uma das habilidades financeiras mais práticas do cotidiano brasileiro.

O que é o Score Serasa e como ele é calculado

A Serasa Experian é uma empresa privada de análise de crédito. Ela compila dados de pagamentos, negativações, consultas de crédito e comportamento financeiro de mais de 150 milhões de brasileiros. O score é um número que resume o risco de inadimplência nos próximos 12 meses — quanto mais alto, menor o risco.

O modelo é proprietário e não é 100% divulgado publicamente — mas a Serasa confirma os principais fatores que influenciam o cálculo. Com a entrada em vigor do Cadastro Positivo (Lei 12.414/2011, implementado pelo Banco Central em 2019), o histórico de pagamentos em dia passou a ter peso ainda maior — e quem paga suas contas corretamente começou a ser recompensado, não apenas quem evita negativações.

Faixas de pontuação e o que cada uma significa

PontuaçãoClassificaçãoO que significa na prática
0 a 300🔴 Muito baixoCrédito praticamente bloqueado; juros altíssimos quando aprovado
301 a 500🟠 BaixoAcesso limitado; cartões básicos, limites reduzidos
501 a 700🟡 RegularAcesso a produtos básicos; financiamento com análise mais criteriosa
701 a 900🟢 BomBoas condições de crédito; taxas melhores; aprovação mais rápida
901 a 1.000🏆 ExcelenteAcesso às melhores taxas; cartões premium; limite alto; pré-aprovações

Os 5 fatores que mais pesam na sua pontuação

A Serasa divide os fatores em categorias com pesos diferentes. Estes são os principais, do maior para o menor impacto:

  1. Histórico de pagamentos (~40%): se você paga suas contas em dia — cartão, boleto, financiamento, fatura de celular. É o fator mais importante e leva tempo para construir. Cada pagamento em dia é um ponto a favor; cada atraso é um sinal negativo que persiste por meses.
  2. Dívidas negativadas (~30%): qualquer dívida em aberto registrada nos bureaus de crédito derruba o score significativamente. Uma única negativação pode reduzir a pontuação em 100 a 200 pontos. Após o pagamento, a negativação some em até 5 dias úteis — e o score começa a subir nos meses seguintes.
  3. Uso do crédito disponível (~15%): quanto do seu limite de cartão e crédito rotativo você usa. Acima de 30% do limite de forma consistente, o score cai. Acima de 70%, o impacto é severo. Não é sobre a dívida em si — é sobre a proporção usada.
  4. Tempo de relacionamento com crédito (~10%): contas antigas e cartões com histórico longo contam positivamente. Cancelar cartões antigos para "simplificar" pode reduzir o score porque elimina o histórico.
  5. Consultas de crédito recentes (~5%): cada vez que um banco ou financeira consulta seu CPF para análise de crédito, isso fica registrado. Muitas consultas em pouco tempo sinalizam que você está buscando crédito desesperadamente — e reduz a pontuação.

O hábito que derruba o score sem você perceber

O uso excessivo do limite do cartão de crédito é o fator mais subestimado. Muitos consumidores pagam a fatura integralmente todo mês — mas usam 80%, 90% do limite disponível antes do vencimento. Para o score, isso aparece como alto risco de crédito, mesmo que você pague tudo no final.

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A solução é relativamente simples: manter o saldo do cartão abaixo de 30% do limite no momento em que a fatura é fechada (não no vencimento). Se seu limite é R$ 5.000, tente não ultrapassar R$ 1.500 na data de fechamento. Isso pode parecer restritivo, mas é o sinal mais poderoso de saúde financeira para os modelos de score.

Como aumentar o score em 30, 60 e 90 dias — ações concretas

O aumento do score não é instantâneo, mas há ações com impacto mensurável em prazos curtos:

PrazoAçãoImpacto esperado
30 diasQuitar dívidas negativadas; ativar Cadastro PositivoRemoção de negativações (após quitação); início do histórico positivo
60 diasReduzir uso do cartão para abaixo de 30% do limite; pagar fatura sempre no totalQueda no sinal de uso de crédito elevado; início de histórico positivo
90 diasManter pagamentos em dia de todas as contas; evitar novas consultas de créditoScore começa a subir consistentemente; acesso a produtos melhores

Score Serasa vs. Score SPC: qual banco usa qual?

Os dois principais bureaus de crédito no Brasil são a Serasa Experian e o Boa Vista (antigo SPC/SCPC). Cada banco tem parceiros diferentes:

  • Itaú, Nubank, Santander: consultam principalmente a Serasa
  • Bradesco, Caixa, Banco do Brasil: consultam ambos os bureaus ou têm modelos próprios
  • Financeiras e lojas do varejo: geralmente consultam o SPC (Boa Vista)

Se você tem dívida negativada apenas no SPC, seu score Serasa pode estar ok — mas o crédito em lojas que consultam o SPC será bloqueado. A regularização deve ser feita no bureau onde a negativação está registrada.

Mitos sobre score que não funcionam

  • "Fazer mais cartões aumenta o score": falso. Muitos pedidos de cartão em pouco tempo geram consultas que derrubam o score.
  • "Parcelar no crédito aumenta o score": parcialmente falso. Parcelar pode ajudar ao construir histórico, mas se elevar o uso do limite acima de 30%, prejudica.
  • "Pagar só o mínimo do cartão mantém o score": falso. O saldo rotativo em aberto conta como dívida e pode aumentar o uso do limite — dois fatores negativos.
  • "Consultar o CPF com frequência prejudica o score": falso. A autoconsulta não afeta o score. O que afeta são as consultas feitas por terceiros (bancos e financeiras).