O governo federal publicou a MP nº 1.358/2026 em edição extra do Diário Oficial de 13 de maio de 2026 — e ela autoriza um subsídio de até R$ 0,89 por litro na gasolina e R$ 0,35 por litro no diesel. A previsão inicial é aplicar entre R$ 0,40 e R$ 0,45/litro imediatamente. Se o desconto chegar ao posto, um tanque de 50 litros pode ficar até R$ 22,50 mais barato — mas há um custo: R$ 3 bilhões por mês do Tesouro Nacional.

A medida é uma resposta direta à combinação de petróleo caro no mercado internacional e inflação acima da meta. O governo optou pelo subsídio tributário em vez de mexer na política de preços da Petrobras — uma decisão que tem histórico polêmico no Brasil. Entenda como funciona, quando chega ao consumidor e quem paga a conta.

Como o subsídio funciona — o mecanismo por trás da MP

Ao contrário de um controle de preços, o subsídio da MP nº 1.358/2026 funciona como um cashback tributário:

  1. As refinarias e importadores pagam tributos federais (PIS, Cofins e Cide-Combustíveis) sobre a gasolina e o diesel
  2. O governo "devolve" parte desses tributos às empresas via subvenção, paga pela ANP (Agência Nacional do Petróleo)
  3. Em contrapartida, as empresas são obrigadas a reduzir o preço de venda no valor equivalente ao subsídio recebido — e identificar esse desconto nas notas fiscais
  4. O repasse ao consumidor final acontece na cadeia: distribuidoras → postos → motoristas

Fonte: MP nº 1.358/2026 — Planalto.gov.br.

Os valores: quanto pode cair cada combustível

CombustívelTeto máximo do subsídioEstimativa inicialVigência
GasolinaR$ 0,89/litroR$ 0,40 a R$ 0,45/litroImediato após portaria do Ministério da Fazenda
DieselR$ 0,35/litroR$ 0,35/litroA partir de junho de 2026 (fim da desoneração atual)

O subsídio parcial na gasolina (~R$ 0,43/litro) representa uma redução de aproximadamente 6% em relação ao preço médio nacional de R$ 6,72/litro (ANP, semana de 05/05/2026). Fonte: ANP e MP 1.358/2026.

Quanto você economiza na prática

Tamanho do tanqueEconomia estimada (R$ 0,43/litro)Economia máxima (R$ 0,89/litro)
40 litros (hatch popular)R$ 17,20R$ 35,60
50 litros (sedan/SUV médio)R$ 21,50R$ 44,50
70 litros (SUV grande/picape)R$ 30,10R$ 62,30
Moto (15 litros)R$ 6,45R$ 13,35

Estimativa com subsídio parcial de R$ 0,43/litro e preço médio nacional da gasolina de R$ 6,72/litro. O valor exato depende da portaria do Ministério da Fazenda, ainda não publicada em 14/05/2026.

Acompanhe o preço médio da gasolina na sua região: a ANP publica semanalmente o levantamento de preços por estado e município — e vai refletir o subsídio assim que ele chegar aos postos.

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Quando o desconto chega ao posto

A portaria do Ministério da Fazenda — que vai definir o valor exato do subsídio — ainda não foi publicada em 14 de maio. O processo é:

  1. Publicação da portaria (dias)
  2. Regulamentação pela ANP (dias a semanas)
  3. Repasse da subvenção às refinarias/importadoras (processamento financeiro)
  4. Ajuste de preços na bomba pelas distribuidoras e postos (dias adicionais)

Na prática, o consumidor deve começar a sentir o impacto entre 1 e 3 semanas após a publicação da portaria — e a queda de preços não será uniforme: postos que trabalham com margens menores podem repassar mais rápido.

A conta do subsídio: R$ 3 bilhões por mês

O custo estimado é de R$ 3 bilhões mensais para o Tesouro Nacional — equivalente a R$ 36 bilhões ao ano se mantido. A MP tem validade inicial de dois meses, mas pode ser prorrogada por decreto do Executivo sem necessidade de aprovação do Congresso.

O impacto fiscal já preocupa o mercado financeiro: o dólar subiu 2,31% para R$ 5,009 em 13/05 — parte da alta foi atribuída justamente ao risco de deterioração das contas públicas com essa medida. Investidores questionam se R$ 3 bi/mês é sustentável em um cenário de meta fiscal apertada.

Subsídio versus controle de preços: qual a diferença?

ModeloComo funcionaRisco
Subsídio tributário (atual)Governo reduz tributos repassados pelas refinarias; empresas mantêm liberdade de precificaçãoCusto fiscal elevado; empresas podem não repassar integralmente
Controle de preços (histórico)Governo fixa o preço diretamente; Petrobras vende abaixo do custo de importaçãoDistorção de mercado, desabastecimento, prejuízo para Petrobras
Desoneração (atual no diesel)Suspensão de PIS/Cofins — similar ao subsídio, mas sem cashbackPerda de arrecadação permanente enquanto vigente

O modelo atual evita as distorções do controle de preços e é mais transparente do que a desoneração — mas o custo orçamentário é imediato e visível.