O Brasil criou 228.208 empregos com carteira assinada em março de 2026, segundo dados do CAGED, divulgados pelo Ministério do Trabalho. O resultado é 185% maior do que o registrado em março de 2025 — quando foram criadas 79.994 vagas — e eleva o saldo acumulado do ano para 613.373 empregos formais em apenas três meses.

O setor de Serviços respondeu sozinho por 67% do total. Quatro dos cinco grandes setores da economia apresentaram saldo positivo. Apenas a agropecuária ficou no vermelho — e tem explicação técnica para isso.

O resultado completo por setor

SetorVagas criadas% do total
Serviços+152.39167%
Construção Civil+38.31617%
Indústria+28.33612%
Comércio+27.26712%
Agropecuária-18.096— (negativo)
Total+228.208

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego — CAGED março 2026. Dados: 2.526.660 admissões e 2.298.452 desligamentos.

Por que a agropecuária ficou no negativo — e não é crise

O setor agropecuário registrou a perda de 18.096 vagas formais em março. Isso assustou em manchetes, mas o motivo é puramente sazonal: março marca o fim das principais safras — soja, milho, maçã — e o ciclo de colheita termina, dispensando os trabalhadores temporários contratados com carteira durante a produção.

Em meses de plantio (agosto-outubro), a agropecuária costuma puxar os números para cima. Não há sinal de crise no setor.

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Os estados que mais contrataram em março

EstadoSaldo de vagas
São Paulo+67.876
Minas Gerais+38.845
Rio de Janeiro+23.914
Paraná+18.200 (est.)
Santa Catarina+14.800 (est.)

24 dos 27 estados registraram saldo positivo. Apenas três estados ficaram no negativo, puxados por sazonalidade agrícola local.

Quem está sendo contratado — o perfil do trabalhador de março

  • Faixa etária dominante: 18 a 24 anos — jovens entrando no mercado formal pela primeira vez
  • Salário médio de admissão: R$ 2.350,83
  • Setor mais acessível para jovens: Serviços (comércio, alimentação, logística, tecnologia)

O dado do salário médio de admissão (R$ 2.350,83) é relevante para contextualizar: representa 1,45 salário mínimo — acima do piso, mas ainda na faixa de renda que convive com dificuldades de crédito e endividamento.

O que esperar nos próximos meses

Dois setores sinalizam continuidade no aquecimento:

  • Serviços: Demanda por mão de obra em tecnologia, logística, saúde e turismo segue robusta. A digitalização do mercado continua abrindo vagas, especialmente para jovens com qualificação básica em TI.
  • Construção Civil: Programas habitacionais (Minha Casa Minha Vida) e obras de infraestrutura mantêm o setor em expansão. Pedreiro, eletricista e encanador seguem entre as profissões mais demandadas.

Como o CAGED funciona — entenda o número

O CAGED não mede todos os empregos — só os empregos formais com carteira assinada (CLT). Trabalhadores informais, MEIs, autônomos e servidores públicos estatutários não entram no cálculo. O Brasil ainda tem cerca de 40% da força de trabalho na informalidade, o que não aparece nesta estatística.